Especificações Culturais

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Especificações Culturais

Mensagem por Seoulite em Sab Jun 25, 2016 5:16 am


Especificações Culturais


Habituados a uma cultura brasileira plural e miscigenada, é comum que nos questionemos quanto imposições e as problemáticas sociais de outros países. Embora repleta de imperfeições – como a misoginia, o racismo e a homofobia sufocantes –, nossa nação apresenta peculiaridades singulares, em muito caracterizada pela presença do contato físico e a simpatia do povo extremamente hospitaleiro. Por isso, nos causa estranheza a visualização de culturas que dispensam valores tão disseminados em nosso dia a dia. Não é diferente com a cultura que embasa Seoulite, e se engana quem pensa que tudo são flores na Coréia do Sul.

Em primeiro plano, é necessário que se desconstrua qualquer idealização equivocada quanto a cultura sul-coreana. Ao contrário do que muitos pensam, a homossexualidade, o contato físico, estrangeiros e a emancipação feminina são tópicos tratados com extrema delicadeza, na maioria das vezes evitado pela população coreana num geral. Essa seção tem como objetivo desmistificar fatores socioculturais que possam permear a cabeça dos usuários do fórum, apresentando utilidade pública uma vez que contribui para o enriquecimento genuíno de nossos personagens. Diferentemente do Brasil, a fé budista predomina na Coréia, embora o protestantismo encontre-se em crescimento acelerado e constante, ao ponto de novas igrejas estarem sendo construídas a cada esquina.

No momento em que uma mulher coreana descobre estar grávida, toda a vida de seu descendente se arquiteta de forma imediata em sua cabeça: da escola que irá frequentar a cerimônia de casamento com alguém do sexo oposto que irá protagonizar em meados de seus vinte anos, tudo é projetado minuciosamente de acordo com os padrões aceitáveis pela sociedade vigente. No caso, a sociedade em questão não abre espaço para desertores e imperfeições – e quando tais singularidades ocorrerem, o indivíduo é instantaneamente marginalizado. Em uma nação com padrões tão específicos quanto a Coréia do Sul, qualquer falha é digna de reprovação, seja esta vinda de seus pais, de seus colegas ou companheiros.

Imagine-se uma jovem sul coreana com seus dezessete anos de idade. Some a pressão dos estudos com seus potenciais atributos físicos tipicamente coreanos (como a pálpebra única e o queixo protuberante) constantemente criticados por seus colegas de classe, além do fanatismo da faixa etária por idols e membros de grupos masculinos. É claro que você não vai querer arrumar mais um motivo para ser reprovada por seu ciclo social e, por isso, mesmo que nutra uma atração preocupante por outras garotas, você irá ocultar o segredo e mitigá-lo completamente. Afinal, seus pais já estão lhe questionando sobre um possível namorado, e sua avó diz que você irá morrer sozinha. Além disso, todas as suas amigas querem se casar com aquele cantor famoso. Você não quer ser diferente delas e desapontar as expectativas de toda a sua família, quer? A verdade é que mesmo que você queira, você não terá abertura para seguir orientações próprias na maioria das ocasiões.

O mesmo acontece com os meninos, que na adolescência também são vítimas da ação frequente de hormônios que instalam um pandemônio interno e generalizado dentre os amigos. Pode ter certeza que nenhum garoto irá contrariar a opinião de seus colegas, que a essa altura já expressam suas íntimas fantasias com figuras célebres da mídia coreana. Afinal, o futuro deles já está traçado: irá estudar em uma universidade e se casar, ter filhos e enchê-los com as próprias expectativas absorvidas de uma sociedade que censura o diferente, assim como seus pais fizeram. Mais do que em outros países, a Coréia do Sul preza pela boa apresentação, e, independentemente do sexo, é coercitivo que você deve ser heterossexual.

É claro que, assim como nas demais culturas, as exceções existem – e como existem! Entenda que não há nada de errado em ser uma dessas exceções em Seoulite, muito pelo contrário: interpretações inéditas e ímpares que tragam visibilidade a seu personagem são incentivadas pela equipe. Mas é necessário lembrar que você também faz parte de uma sociedade que aplaude as carícias excessivas entre seus idols masculinos favoritos, mas repudia a homossexualidade declarada do vizinho e deixaria de ser fã dos mesmos cantores caso estes assumissem um relacionamento homossexual. Mas não seja pessimista: as coisas estão melhorando e a nova geração se encarrega de propagar uma equidade nunca antes vista. A tendência é que quando a geração anterior partir, a situação seja amenizada.

Por outro lado, a xenofobia é excessivamente presente no cotidiano de um cidadão sul coreano. Ao passo que indivíduos de nacionalidades adversas integram grupos musicais cada vez mais, a sociedade preserva a aversão a culturas externas e tipicamente asiáticas. Enquanto divinizam a estética europeia, reprovam atributos físicos tipicamente coreanos na mesma proporção que desaprovam tons de pele que não sejam excessivamente brancos. Sob a ótica sul coreana, quanto mais branca a pele de um indivíduo for, mais bonito ele é. A reação inversa também ocorre, uma vez que até mesmo os idols são criticados por peles bronzeadas, ainda que sejam naturais aos mesmos. A necessidade de adequar-se a padrões tão específicos criou uma obsessão alarmante por cosméticos e cirurgias plásticas, sendo as últimas procuradas por turistas que visitam a Coréia apenas para realizar procedimentos estéticos com médicos especializados na área.

É necessário que se pontue também a meritocracia que fundamenta um sistema tipicamente capitalista. Jovens estudantes passam em média de dez horas diárias na escola, reservando o tempo livre para estudar por conta própria; a obsessão em tornar-se o primeiro de sua classe e ser admitido em uma das universidades de prestígio alimenta complexos de inferioridade, depressões e ansiedades que acometem a grande maioria dos alunos. Ao passo que a taxa de suicídios cresce cada vez mais, o governo cria políticas públicas que aumentem a segurança dos adolescentes da nação. O problema é que eles não precisam de segurança, precisam de compreensão. Afinal, não há problema em não ser admitido na faculdade logo após a conclusão a escola, e muito menos em não querer ser aluno de uma universidade. Até mesmo na Coréia existem as pessoas que consolidaram impérios e nunca frequentaram uma instituição de ensino superior. Mas essa opção não é apresentada para os estudantes: a voz que ecoa em sua cabeça constantemente o impele a ser o melhor em tudo o que você faz, mesmo que o trajeto seja desgastante e muitas vezes leve ao surgimento de distúrbios irreversíveis.

Mesmo com as taxas de violência decrescendo, a Coréia do Sul apresenta uma misoginia e um machismo enraizados, sendo a emancipação total feminina um sonho distante, ainda que extremamente urgente. Em 2013, a presidente Park Geun Hye direcionou a atenção dos ministérios para campanhas políticas contra a violência sexual e a doméstica, trazendo uma remediação para um problema que precisa ser prevenido. Mães solteiras na Coréia do Sul enfrentam dilemas sociais absurdos, frequentemente taxadas de incapazes por não criarem seus filhos na presença de um homem, que são frequentemente personificados como o arquétipo da força, vitalidade e segurança. Por isso, a pressão para se casar entre os vinte e trinta anos é muito maior para as mulheres do que para os homens, uma vez que estas são consideradas incapazes de gerir a própria vida sob a ausência de uma figura masculina. Além disso, logo no ensino médio, a maioria das garotas é transferida para escolas unicamente femininas sob a premissa de "não desvirtuarem os garotos dos estudos" e "focarem nas próprias carreiras". A ocasião demonstra com veemência os costumes coreanos, uma vez que considera moças inaptas a estudarem em ambientes com homens. Na Coréia, a maioria dos problemas que envolvam alguém do sexo feminino será revertida de forma a culpabilizar a mulher.


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